quinta-feira, 22 de março de 2012

Amarelinha

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

Flor pertencia a uma família pobre. Mas isso nunca foi problema para ela. Sorria sempre, brincava e fazia imitações como se aquilo não a tivesse atingindo.
Um dia, porém, aquele domínio sobre a situação desmoronou pela primeira vez de tantas outras que se seguiram na vida adulta.
A menina costumava ganhar roupas usadas que enviavam para sua casa. No amontoado de roupas velhas, achou um vestido amarelo lindo, parecia vestido de princesa, cheio de babados na saia e rendas no decote e mangas. Seu pai, que entendia de costura, fez os reparos necessários e a roupa ficou perfeita. Flor deixou para usá-lo numa ocasião especial e esta data apareceu.
Chegando a festa todos a elogiaram, parecia uma princesa de desenho animado. Havia arrumado os cabelos presos para trás, colocado perfume, vestia uma meia-calça de bolinhas brancas e o maravilhoso vestido amarelo.
Depois de alguns minutos nem se lembrava que estava com aquele vestido tão bonito, só tinha certeza de que era criança e queria brincar.
Encontrou sua amiguinha Maria e esta logo falou:
- Esse vestido era meu, sabia? Minha mãe que mandou para sua casa.
- Mentira, meu pai comprou este vestido pra mim – disse Flor na defensiva.
A coleguinha continuou a retrucar em alta voz:
- Sua mentirosa! Você não tem dinheiro pra comprar um vestido desses – falou Maria.
Para não perder a pose e sem saber como se comportar, Flor insistiu até o fim que seu pai é quem havia comprado o vestido.
Daquele momento em diante o vestido que era leve e esvoaçante passou a ser uma armadura, de tão pesado que se tornou. As outras amiguinhas não brincaram mais com ela e a apontavam como a mentirosa que não tinha dinheiro pra comprar um vestido.
Flor foi para casa triste, quase febril. Nunca mais vestiu aquela roupa. Pediu que a mãe o desse para outra criança. Quem sabe a próxima dona teria a sorte de não conhecer Maria e poder desfrutar melhor da roupa...
Flor passou alguns dias amuada e triste com a atitude da amiga. Esperava contar com a cumplicidade dela. Flor achava que a amiga não deveria ter falado nada na frente das outras meninas, mesmo sabendo que o vestido havia sido seu. E isso ficou martelando naquela cabeça miúda por muito tempo até que ela se esqueceu do ocorrido.
Hoje, ao olhar para trás, e tendo outra experiência de vida, Flor sabe que era impossível exigir de uma criança de oito anos uma atitude assim tão generosa. Os adultos, muitas vezes, fazem coisas muito mais reprováveis do que esta. E eles, os adultos, são muito mais astutos, porque sabem que podem humilhar de várias formas, até mesmo quando escondem atrás de atitudes generosas a mesma mesquinhez da pequena Maria...
FIM!

sábado, 17 de março de 2012

Calça estampada é peça para se ter neste inverno






“Roupas escuras e tons neutros têm mesmo a cara de temporadas mais frias, mas em um tempo onde as estações do ano se misturam até mesmo nas passarelas, padrões que costumavam circular apenas no verão ganham passaporte para compor produções de inverno, como as calças estampas, peça chave dos próximos meses.
Com jeito de pijama - de seda e com padronagens miúdas – ou bem estruturadas com estampas tribais, florais e até de poá, as calças deste inverno são boa opção para deixar o guarda-roupa mais alegre. Gostou desta moda? Algumas cautelas para a hora de montar seu look:
. Não é porque é tendência que devemos mudar o nosso estilo, afinal, nada pior do que colocar uma roupa, não segurar a onda e ficar incomodada durante todo o dia, certo? Portanto, se você faz o estilo clássico, a melhor opção é mesmo misturar a estampa com um top neutro – pode ser um suéter de lã ou tricô bem pesado, peças de alfaiataria ou até couro – ou com uma blusa em tom que converse com a cor da calça. (Exemplo: a peça tem detalhes em amarelo, está aí uma boa escolha de cor para a parte de cima do look.)
. Se você é do grupo das mais ousadas, a história muda e vale combinar estampa com estampa e até mesmo montar conjuntinhos com a mesma padronagem, outra tendência deste inverno.
. Sabemos bem que estampa é uma ótima aliada na hora de dar volume e por isso, se você tem pernas mais grossas e quadril largo o melhor é escolher peças de fundo escuro. Outro segredo é optar por um blazer mais compridinho, que cubra o culote.
. Para os pés, pode apostar em slippers, mocassis e anabelas, agora, se a proposta é levar a sua calça para um evento noturno, aposte num salto, como escarpin ou sandálias, que vão deixar sua produção mais sofisticada.”

Por Ligia Carvalhosa em 16.03.2012. Disponível em: http://chic.ig.com.br/como-usar/noticia/calca-estampada-e-a-peca-para-se-ter-no-armario-deste-inverno-saiba-com-o-que-combinar-e-descombinar

segunda-feira, 12 de março de 2012

Dior traz ao Brasil esmaltes com aroma


A Dior cria dois surpreendentes esmaltes com aroma de flores, a jóia da coleção Garden Paty: um verde nenúfar, Waterlily, e um malva florido, Forget-me-not. As novidades misturam a atratividade da cor com o apelo do perfume, que fica nas unhas após o produto ser usado.  O produto chega ao Brasil em abril e já tem lista de espera.

Preço sugerido: R$ 76,00
SAC 0800-170506

Por: Alessandra Oliveira

quarta-feira, 7 de março de 2012

Barba, cabelo e bigode!

Texto de Rute Sobrinho

     Vera havia se mudado para o condomínio recentemente. Queria saber como tudo funcionava, quais eram as novas regras que teria que se submeter. Afinal de contas quem mora em apartamento acaba dividindo um pouco da sua vida com todos! Primeiro procurou saber quem era o síndico daquele prédio impecavelmente organizado. Certamente devia ser alguém muito detalhista e criterioso. E talvez fosse mesmo, ela precisou marcar horário para uma reunião de apresentação no salão social.
     No dia marcado Vera procurou chegar na hora, porque pelo visto ele não se atrasaria de modo algum. Desceu dez minutos antes e ele já estava lá.
     O homem podia ser muito detalhista, mas era também muito bonito. Uma beleza rústica, aquela beleza dos hippies em praias badaladas, que estão despretensiosamente lindos e chamando a atenção de toda a mulherada rica. Ele era branco, olhos claros, corpo atlético, esguio, tinha por volta de seus quarenta anos. Mas uma coisa chamou a atenção. Ele tinha um cabelo grande, quase no ombro, crescido naturalmente sem nenhum corte. A barba loira seguia a mesma linha do cabelo e quase entrava na boca. Aquilo incomodou Vera por algum motivo...
     Não era possível que um homem tão bonito tivesse uma aparência tão desleixada no rosto, o cartão de visitas de uma pessoa - pensou. Com tantos detalhes para observar, ela escutava tudo o que ele dizia, mas não ouvia nada. Estava viajando nos seus pensamentos muitas vezes preconceituosos. Ele certamente já devia ter sido cantado por várias mulheres e por isso falava como se estivesse se defendo de um perigoso ataque.
     Foi difícil manter um diálogo daquela forma, mas Vera conquistou espaço com sua simpatia e foi levando a conversa até o final. Na hora marcada ele guardou os papéis, entregou-lhe o estatuto do condomínio e outras regras mais. Mas ela tinha que fazer uma pergunta que não queria calar:
     - Por que você deixa seu cabelo e barba grandes? Acho que você ficaria muito melhor se fizesse barba, cabelo e bigode! Disse ela espontaneamente.
     Pronto, já tinha falado. Que besteira, meu Deus! Que pergunta mais idiota para se fazer numa hora dessas! Ela se martirizou por séculos durante aqueles poucos segundos em que esperava a resposta do rapaz.
     Mas ele não se intimidou e respondeu naturalmente que foi deixando o cabelo crescer e gostou. Que era um visual recente, pois normalmente ele fazia a barba e cortava o cabelo curtinho.
     - Estou mesmo pensando em fazer isso, talvez nos próximos dias. Disse ele.
     Vera foi para casa arrependida de ter feito uma pergunta tão boba e preconceituosa. Qual era a dela? O rapaz já era tão bonito, queria esperar o que mais dele? E afinal de contas ele era muito bonito, só não estava perfeito para o gosto dela.
     Passados alguns dias e sempre pensando na pergunta mais imbecil de sua vida, Vera foi à reunião de condomínio. A verdade é que ela nunca tinha ido a esse tipo de reunião e nem fazia questão mesmo. Mas quem sabe aquela seria uma oportunidade para desfazer o mal entendido e mostrar que ela era uma moça legal?
     A reunião começou pontualmente e ela ainda não tinha visto que o síndico estava com um visual novo. Ele foi chamado à frente para falar e Vera levou um susto enorme. Quase não o reconheceu. Ele havia cortado o cabelo curto, feito a barba e tirado o bigode. Estava branco, muito branco, talvez pelo tempo que a pele ficou sem tomar Sol.
     Que decepção! Ele tinha feito tudo aquilo e perdeu completamente a graça. Que coisa esquisita, pensou ela, o defeito que eu achei que ele tinha na verdade o tornava melhor. Ela então se desencantou dele e foi embora da reunião sem entender nada...

terça-feira, 6 de março de 2012

Batom vinho é supertendência para o inverno!

Tendência na temporada brasileira de desfiles de inverno 2012, tanto no Fashion Rio quanto no São Paulo Fashion Week, o batom vinho tornou-se grande aposta para o inverno. Duas marcas internacionais confirmaram o tom como aposta em seus desfiles de inverno 2013. 
A Gucci desfilou em Milão a boca vinho superbrilhante em uma beleza descrita por Pat McGrath como "dark romance" e virou desejo absoluto. Para o desfile da marca Rochas, em Paris, a maquiadora Lucia Pieroni contou ao jornal NY Times que a beleza foi inspirada no dark, sem ser vulgar ou ostensivo. Neste caso, o batom vinho é cremoso.
Assim, fizemos uma seleção dos batons em tom vinho que já estão no mercado nacional. A ideia fica linda tanto em peles negras como as muito branquinhas, mas antes de comprar, não esqueça de fazer um teste. Lembre-se que cada tom de pele tem suas próprias características, e é possível que o vinho fique mais claro ou mais escuro dependendo do tom de pele.









Reportagem de Alessandra Malcher, em 05.03.2012, disponível em: http://chic.ig.com.br/

domingo, 4 de março de 2012

Onça colorida!


Se você considera a original um perigo, prepare-se para as versões em azul, rosa e amarelo. Essa veia divertida está marcando território na zona wild da moda. E, diferentemente do que possa parecer, é possível encarar um print de onça colorido sem vestígios de excentricidade no mapa. Siga as pistas!
Da regata ao casaqueto e à saia: uma peça com o print diferenciado dá personalidade e tira os básicos do lugar-comum.


 
Por Fabiana Moritz e Juliana Franco
Fonte: Revista Estilo (www.revistaestilo.com.br)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Vencedor!

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

Almir já tinha seus 36 anos, esposa e cinco filhos quando passou em um concurso público. Até então só tinha tido empregos temporários, muito trabalho e pouco dinheiro para sobreviver na cidade grande.
Era seu primeiro dia naquela jornada e o ônibus funcional vinha buscá-lo na porta. Imagina só, um ônibus só para o pessoal do trabalho! Vibravam os filhos.
Ele estava todo arrumado, de cabelo cortado, de barba feita, usando blusa, calças sociais, óculos e um sapato novo comprado especialmente para aquele dia.
Toda a família estava na porta olhando. O pai saiu radiante, sorrindo e correu para sua liberdade. Quando deu o último tchau, passando pela frente do ônibus e indo em direção a porta lateral, escorregou e caiu.
Escutou em coro um ohhhhhhh! Segundos de tensão e silêncio da família, do motorista, dos futuros colegas.
Ele levantou-se do chão, foi apoiado pelos futuros colegas de viagem, e retornou a casa para trocar a blusa que rasgou e para desempenar os óculos amassados.
No chão ficou um fio de sangue, mas isso não intimou Almir. Parece que as gotas do líquido vermelho encerravam uma fase que não mais voltaria, e isso o deixava muito orgulhoso. A cena de um homem sofrido erguendo-se do chão, sem baixar a cabeça, sem desistir de ir trabalhar naquele dia, mostrou porque ele havia conseguido chegar até ali.
Limpou-se, entrou no ônibus, acenou da janela e foi trabalhar feliz. Sem dizer uma palavra mostrou, mais uma vez, sua garra de vencedor.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Três formas de amar

Texto de Rute Sobrinho

O sonho de Daiane era fazer um cruzeiro marítimo. Esse dia chegou e foi muito emocionante! Tudo era mais lindo do que nas fotos, a decoração, as cortinas, os carpetes, os móveis, os atendentes. Neste mundo de sonho e encantamento ela conheceu um tripulante, e se apaixonaram. A viagem, a partir de então, tornou-se mais saborosa e mais dolorida, porque aquele sonho acabaria mais cedo do que o desejado.
Quando retornou para casa a lembrança não era mais do mar, nem da noite com o Comandante, nem das praias maravilhosas, nem das festas magníficas. Ela só tinha espaço pra pensar no belo moço de olhos azuis. E demorou certo tempo para se esquecer dele...
Depois de dois anos Daiane queria fazer outro cruzeiro, já estava pronta para outra emoção. Viajou com três amigos e novamente o encantamento do navio, a beleza das pessoas, a decoração do lugar. Não encontrou nenhuma nova paixão. Em compensação divertiu-se muito com os amigos, riu bastante, foi a todas as festas, dançou e aproveitou tudo o quanto pôde.
Voltou para casa e conseguiu lembrar-se com carinho de todos os momentos da viagem e ainda hoje sente saudades dos queridos amigos. Mas Daiane não é uma mulher comum, ela é teimosa. Um ano depois foi novamente a um Cruzeiro, desta vez com a família. Ao chegar ao navio, que coisa linda, que decoração, que shows lindos, que delícia de atendimento. Saía pelo navio apresentando tudo aos familiares como se ela mesma tivesse construído aquele navio. Que viagem maravilhosa, como foi prazeroso o encontro mais íntimo com os pais e a irmã. A família, às vezes, precisa se afastar do ambiente doméstico para voltar a apreciar as qualidades um dos outros...
Quando retornou da viagem tinha muita lembrança boa. Se perguntassem a ela, mas o que tanto você fez por lá? Talvez ela respondesse o que sempre há para fazer nos navios, que são os jantares, os passeios, as festas, as conversas. Mas o diferencial é o conjunto de sensações. Como uma mesma viagem pode ser tão diferente e tão divertida ao mesmo tempo? Eu imagino que talvez o que ela saiba é aproveitar a companhia das pessoas, usando um lindo lugar como pano de fundo.
Na primeira viagem ela pôde se deixar levar pela paixão, sempre tão avassaladora e impetuosa. Na segunda vez ela aproveitou a companhia dos amigos, fortalecendo os laços de carinho. Da última ela curtiu o amor em família, a companhia coladinha dos pais e da irmã.
Depois disso tudo adivinhe se ela ainda quer fazer um cruzeiro novamente? Mas é claro que sim. Certamente será tudo lindo e ela poderá viver outra história de paixão, amizade, cumplicidade, ou melhor, de amor.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Look da semana


Itens do look
Relógio Pedras Roladas H.Stern
Anel Patricia Centurion - Primavera Verão 2009/2010
Batom M.A.C - Primavera Verão 2011
Perfume Chanel - Primavera Verão 2011
Bolsa Legaspi - Primavera Verão 2011
Saia Alphorria - Primavera Verão 2011
Blusa Maria Filó
Sapato Christian Louboutin - Primavera Verão 2012
Brincos Claudia Arbex - Primavera verão 2012

* Todos os itens podem ser encontrados no site da Revista Estilo de Vida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Lições

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

O pai volta de um passeio com o filho e diz à mãe:
- O passeio foi maravilhoso! Eu passei a ele muitas lições sobre a vida, conversamos muito, ele estava realmente precisando disso.
-Que bom, meu amor! Mas o que tanto vocês conversaram? Perguntou a mulher.
-Eu disse que ele tinha que ter mais paciência, obedecer às regras aqui em casa e na escola, respeitar os mais velhos, essas coisas.
-E ele escutou tudo direitinho? Perguntou a esposa.
-Claro. Falei ainda pra ele ser honesto, sempre. Que negócio é esse de você mandá-lo comprar pão e ele não devolver o troco? Você estava mimando demais esse menino!
Quando os pais foram para o quarto dormir, escutaram o filho conversando com o coleguinha que ia passar o final de semana com eles.
-Fiquei o dia todo andando com meu pai - falou o filho.
-Que legal. E o que fizeram? Perguntou o colega.
-Ah, ele ficou falando um monte de baboseiras que nem prestei atenção direito. Mas o velho é muito doido...
-Como assim?
-Primeiro fomos ao shopping. Chegando lá paramos na vaga de deficientes, afinal de contas meu pai disse que era rapidinho. Fomos tomar um sorvete e a tonta da mulher devolveu o troco a mais e meu pai guardou! Quem mandou ela dar bobeira!?
- E o que mais? Continuou perguntando o amigo.
- Depois fomos pagar uma conta e meu pai cortou a fila porque a gente estava com muita fome! No caminho para o restaurante um babaca tentou ultrapassar meu pai, forçando a passagem, foi o maior estresse.
-E ele deixou o carro passar?
-Claro que não, e aquele motorista apressadinho ainda ouviu umas poucas e boas do meu pai!
O pai ouviu tudo e se envergonhou. Como poderia ensinar ao filho coisas que ele não havia aprendido? Falar por falar de nada adianta. Aprendemos na vida olhando, observando e percebendo a movimentação ao nosso redor. Não subestimemos as crianças, elas ainda não têm a perfeita articulação das frases e o português correto, mas aprendem todas as ações que vêem.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O instinto de felicidade

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

Uma das melhores lembranças da infância são os parques de diversão. Em frente a minha antiga casa existia uma praça com balanço, escorregador e roda, pintados nas cores verde, azul, vermelho e amarelo, com areia para amortecer a queda. Fui muito feliz nesses parquinhos, girar naquele brinquedo dava uma cócega na barriga que nos fazia rir desesperadamente.
Recentemente resolvi ir a um parque de diversão com meu irmão e minha sobrinha. Mesmo com os meus 33 anos não me acanhei em comprar um “passaporte da alegria”, aquele tipo de ingresso que dá direito a brincar quantas vezes quiser, ou melhor, quantas vezes conseguir ou agüentar.
Fui nos brinquedos mais tradicionais e em outros extremamente empolgantes e até desesperadores. Num desses em que reviram a gente por inteiro de cabeça pra baixo, chacoalham, torcem, eu fui para me desafiar e achei a adrenalina quase insuportável. Disposta a não mais brincar meu irmão me convenceu a ir de novo para me provar como essa sensação angustiante diminuiria e eu conseguiria pelo menos parar de gritar feito uma louca.
Um pouco rouca e descabelada, fui novamente e gritei um pouco mais baixo, abri os olhos só um pouquinho e consegui tocar na mão do meu irmão ao lado. Pouco tempo se passou, mas percebi que nada é tão insuportável depois que sobrevivemos pela primeira vez! Foi assim que desafiando a mim mesma fui pela terceira, quarta, quinta vez naquela loucura. Pense, na última vez estava olhando para o céu e para as luzes do prédio que pareciam de brinquedo, de tão pequeninas aos meus olhos. No fundo aquela emoção nunca passou, aquele frio na barriga nunca esquentou, mas pude conciliar a sensação infantil com a sensação adulta.
Costumo dizer em tom de brincadeira que a vida é como um grande jogo de videogame. Quando já estamos bem craques naquela fase e vencemos, partimos para outra mais difícil. As situações se repetem, mas à medida que avançamos um elemento novo é adicionado. São essas mesmas dificuldades que nos impulsionam a continuar, a querer vencer o jogo, é o instinto de felicidade. Não quero dizer instinto de sobrevivência porque este os animais irracionais também têm. O ser humano tem um diferencial, ele não quer só sobreviver, quer viver e quer viver feliz.
Atrevo-me a dizer que é o instinto de felicidade que nos faz avançar sempre, mesmo machucados, feridos, traumatizados, estropiados. O instinto nos diz: você nasceu para ser feliz, não desista nunca! Devemos correr atrás da nossa felicidade, e talvez o grande mérito seja seguir tentando ser feliz, sempre.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Diário da felicidade

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho


Nossa vida é marcada por eventos e estes delimitam nossa história no tempo e espaço. Passamos a relacionar nossa idade com os acontecimentos, por exemplo, quando tinha quatro anos caí e fiquei com uma cicatriz; aos sete anos um tio querido morreu e conheci esta dor de perto; na adolescência tive um amor não correspondido, e etc.

Mas acho uma pena marcarmos os nossos eventos com as coisas tristes. Neste ano propus a mim mesma e agora proponho a vocês um diário da felicidade. Como assim?

Todos nós sabemos que o mesmo dia pode nos trazer alegria, tristeza, nostalgia, amor, paixão, ódio e muitas outras sensações. Quando colocamos nossa cabeça no travesseiro adivinha de qual nos lembramos? Podemos colocar no diário as coisas boas ou que nos trouxeram uma lição para tornar nossa vida melhor. Esse diário pode ser mental, não exatamente escrito. É aquela história de olhar o copo quase vazio ou quase cheio.

Num simples dia de trabalho, por exemplo, podemos conseguir concluir um relatório difícil e, mesmo tempo trabalhado muito, ficarem coisas a finalizar. Podemos optar por achar que fomos um fracasso, por deixar alguma coisa pendente, ou ficar feliz por ter concluído uma etapa.

Sabe aquela chuva na hora da saída do trabalho? Alguém vai se odiar por ter esquecido a sombrinha logo naquele dia! Esqueceu a sombrinha? Que bom que o colega trouxe e me emprestou! O colega não emprestou? Que bom que já estou indo pra casa! Está chegando ao trabalho e está todo molhado? Que bom que já sarei daquela gripe. E assim vai...

Bem, não é que vou brincar de ser feliz e fugir da realidade, mas tirar da vida aqueles aborrecimentos desnecessários. Só devem ficar aqueles que realmente não temos como fugir ou negar.

Quem se atreve a tentar comigo?

Caro Emerald - Back it up

domingo, 1 de janeiro de 2012

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Quem sabotou o meu pão?

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

José, pai de família dedicado e exigente, foi até a padaria comprar pão, já que achava que nenhum dos filhos conseguiria escolher o alimento melhor do que ele. Voltou para casa todo empolgado, o pão estava quentinho, tinha acabado de sair do forno, e o café que a mulher acabara de fazer estava fumegando.
Comentou com os filhos como foi bom ter ido à padaria, que eles provavelmente não seriam tão criteriosos como ele. Disse que a padaria estava muito limpa, porque ele fez questão de ir até a cozinha verificar.
A mãe colocou a mesa como fazia sempre, mesmo que o lanche fosse um simples biscoito. Ela tinha uma nobreza na alma.
O pai, a mãe e os três filhos sentaram-se à mesa e cada um colocou manteiga no pão quentinho que chegava a derreter e escorrer umedecendo ainda mais o alimento.
De repente, o pai deu um grito de desespero, dor, indignação talvez. Dentro do seu pão havia um dente. Isso mesmo. Um dente humano. Que nojento! Eca!!!
O clima mudou completamente, pois agora o pai estava vermelho de raiva, de indignação de uma padaria tão nojenta, sem higiene, que o deixou tão constrangido. Além do mais iria processar aquela empresa, isso devia dar uma boa grana. Afinal de contas ele não podia ficar se sentindo tão mal assim sem uma reparação.
Os filhos pararam de comer também, ficaram com receio do que mais poderia sair dali!
José decidiu ir à padaria tirar satisfação do acontecido. Colocou um terno velho por cima da camisa surrada, calçou os sapatos empoeirados e estava com o pão e o dente na mão para provar o fato.
O filho menor, que observava muito e entendia pouco, começou a reparar na voz do pai, parecia que estava faltando algo... Continuou a olhar a e dar um sorriso de canto de boca. O pai que era apaixonado pelo caçula não resistiu àquele olhar sapeca e sorriu para ele. Aí a gargalhada foi geral. O pai estava banguela, faltava-lhe um dente, certamente aquele que estava dentro de um pão!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Todo dia é Natal!

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

Caroline passou todo o ano ao lado da família. Abraçou e beijou muito os seus queridos a cada encontro, a cada almoço. Nunca tinha passado um Natal longe deles. Neste ano, ela que agora se sentia tão adulta, tão independente, resolveu passar o fim de ano na casa de uns amigos em Santos. Arrumou a mala, colocou as melhores roupas, perfumes caros, uma maquiagem para realçar as bochechas rosadas e foi embora.
No caminho já sentiu aquele aperto no peito. Será que eu não deveria ter deixado para vir depois da festa de Natal? Deixa de bobagem, Caroline, você já é uma mulher e não deve mais sentir esses resquícios de uma adolescente insegura e boba.
Quando chegou a casa dos amigos foi recebida muito bem, mas notou que lá não havia o calor humano do seu lar, calor este propício à fecundação de muitos sentimentos bons.
Na noite de Natal a comida estava quente, as estavam pessoas frias e Caroline estava morna. Essa mistura embrulhou-lhe o estômago e sentiu-se enjoada a noite toda. Imagino que foi a noite mais longa de sua vida, cada hora deve ter durado uns 103 minutos. Durante a festa só pensava em como foi boba em achar que poderia ser mais feliz do que já era. Queria um Natal emocionante, enquanto o Natal de sua casa era tranqüilo e tinha paz.
Acho que talvez ela estivesse incomodada com tanta tranqüilidade, talvez achasse que a felicidade é tão impetuosa como a paixão, como o desatino. Mas não é. O amor traz paz e tranqüilidade. Às vezes beira a monotonia, mas traz sempre segurança e uma alegria adulta.
A verdade é que Caroline havia tido 364 natais em casa e não tinha percebido até então. Um dia somente não consegue trazer a felicidade se o ano todo foi de tristeza. Plantar a felicidade um pouco a cada dia é que faz o Natal ser repleto de felicidades e realizações. 
Na verdade, ela desfrutou a alegria do Natal o ano inteiro menos no dia 25 de dezembro. Ficou triste como nunca e queria desaparecer daquele lugar de clima tão úmido e de almas tão secas.
Ao retornar para casa abraçou a todos ternamente, certa de que jamais faria aquilo novamente. E o mais importante, ela começou a construir o próximo natal já no dia 26 de dezembro!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sonzinho do passado

As cobras voadoras

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

O mundo das três camadas era habitado por pássaros cantadores, cobras voadoras e humanos rastejantes.
A camada mais alta, com o céu claro, ar puro, era habitada por lindos pássaros cantadores, que pareciam desconhecer a realidade assustadora que ficava logo abaixo. A atmosfera ali era agradável e leve.
A reptilfera era a camada intermediária, onde viviam as cobras voadoras. Ali o ambiente era muito pesado e a atmosfera densa. Mas nem sempre foi assim. As cobras passaram a ter asas pelo ambiente propício deixado pelos homens. Estes, quando habitavam esta camada, começaram a abusar de atos injustos, covardes, insanos. Isso fez com que o ar ficasse muito insuportável, obrigando-os a viver na última camada. Por sua vez, as cobras que estavam no solo perceberam a fraqueza humana e adoravam instigar as situações constrangedoras para, mais rápido, subirem de posto.
Foi assim que houve a inversão das camadas.
A terceira camada era a dos homens rastejantes. A segunda camada ficava bem próxima do chão e devido ao ar asfixiante, os humanos preferiam se rastejar. Apenas alguns acostumados com essa atmosfera se atreviam a andar de pé. Muitas vezes os homens reclamavam por estarem rastejando e verem tantas cobras voando. Achavam aquilo injusto.
Um dia um dos pássaros cantadores, vendo que os homens não sabiam como sair daquela situação resolveu descer até eles. Alguns recomendaram que ele não fizesse aquilo, porque seria muito dolorido e talvez até lhe causasse a morte. Mas ele preferiu seguir seu coração e desceu, tendo que respirar aquele ar poluído e sentir suas penas voando para longe.
Chegou a terra muito machucado e disse para os homens tudo o que ele podia ver lá de cima e como as cobras chegaram até a segunda camada. Disse também que a única forma das cobras descerem seria tornando o ar insuportável para elas.
- Mas como vamos fazer isso? Perguntaram.
-Vocês terão que mudar suas atitudes mais íntimas, fazer o bem sem esperar retorno e pedir ao grande pai do universo que os proteja.
-Mas é só isso? Disseram uns.
- Parece pouco, mas é tudo - disse o pássaro.
Depois de dada a mensagem o pobrezinho não agüentou o esforço que fez na viagem e morreu.
Muitos homens iniciaram uma batalha silenciosa. Aos poucos, no entanto, o resultado apareceu. O céu estava mais límpido, os homens conseguiam ficar em pé e as cobras mais fracas começaram a cair e rastejar novamente.
Vendo que o plano estava dando certo, as cobras começaram novas investidas contra os humanos, instigando o ciúme, o ego, o orgulho para conseguirem manter-se no alto.
Mas os homens já não eram os mesmos, já tinham o conhecimento da verdade e se firmaram no propósito até que todos estivessem de pé e as cobras rastejando.
Antes de o pássaro morrer, no entanto, ele fez uma alerta:
- Sei que vocês conseguirão reverter a situação de calamidade que este mundo se encontra, mas não se esqueçam que a luta será difícil e longa, exigindo de vocês um crescimento moral diário e constante. Caso contrário, as cobras voltarão a voar...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Mundo que quase deixou de sentir

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

No mundo Apatia viviam milhares de pessoas que num passado distante haviam sofrido várias perdas. Uns se magoaram por amor, outros pela separação trazida pelo sepulcro, outros pelos mais variados tipos de decepção humana.
Por conta disso, resolveram se proteger desses sentimentos que traziam mais mal do que bem, segundo a ótica deles. Vestiam-se diuturnamente com cápsulas protetoras que impediam a entrada de qualquer sentimento. Decidiam tudo na base da razão e do raciocínio.
Passaram a não mais sofrer, a não mais sentir, a não mais amar, a não mais viver. Acordavam, comiam, sorriam. Tudo no piloto automático dos instintos.
Chegou determinada época em ninguém mais sabia como era sentir coisa alguma, pois a nova geração foi totalmente criada dentro das cápsulas. No entanto, sempre há revolucionários pelos mundos afora. Lá não era diferente, e começou-se um burburinho para questionar os que não aceitavam a imposição da massa.
Alguns universitários rebeldes começaram a se reunir e filosofar acercar dos benefícios e males das cápsulas. Queriam saber a origem daquilo tudo, quando havia começado, quem determinara isso e por que tinham que sofrer as conseqüências das opções dos outros.
Todas as noites eles se encontravam num subsolo escondido e saíam das cápsulas para experimentarem novas sensações. E que sensações... A cada noite eles eram humanizados com toda sorte de sentimentos que eclodia numa velocidade assustadora, como se quisessem recuperar o tempo perdido.
A partir desses encontros surgiram interesses, amores, discussões, raiva, ciúme. O medo tomou conta deles, afinal como equilibrar todas aquelas forças que surgiam de uma hora para outra?
Logo começaram a notar diferenças neles próprios, o rosto ficava mais rosado com algumas palavras, sorriam mais abertamente e reagiam mais naturalmente às situações.
Depois da quebra de paradigmas da turma dos revolucionários sem cápsulas, cada qual passou a gerir sua vida escolhendo se isolar na cápsula ou não.
Os que optaram por permanecer no isolamento passional, diziam que o medo de sentir algo desagradável era maior do que a esperança de sentir algo bom. Preferiam permanecer como estavam.
Os destemidos revolucionários bradavam aos quatro cantos que preferiam o sofrimento a dor de nada sentir; preferiam a decepção a nunca experimentar o amor; preferiam o ciúme à indiferença; preferiam a raiva à apatia. Dentro das cápsulas eles teriam uma vida óbvia e certa, fora delas podiam escolher o destino, aprender a controlar os sentimentos, e, verdadeiramente, viver.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Frankestein fashionista

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

Eu estava prestes a atravessar a rua quando vinham dois carros ainda distantes de mim. Havia tempo suficiente para chegar ao outro lado da rua, afinal de contas sou motorista há quinze anos e pedestre há trinta e três!
Enquanto eu atravessava, o motorista de um dos carros acelerou mais ainda fazendo com que a travessia realmente se tornasse perigosa. Corri aquela corrida de mentira (quando a pessoa só finge que corre, mas chega do outro lado na mesma hora de quem só andou) e cheguei ilesa! O motorista buzinou zangado pela insolência de não deixar a pista só para ele.
Logo à frente o carro parou. Pensei comigo: agora vou ver o rosto desse homem truculento, que deve ter uns dois metros de altura, deve ser forte, tatuado e ter uma cara amarrada. Qual não foi minha surpresa quando desceu do carro uma linda mulher, delicada, traços finos, de salto alto, cabelos lindamente escovados. Meu Deus, o que aconteceu com as mulheres? Foi a tal independência feminina? Foram os sutiãs queimados? Foi a infidelidade masculina? Não sei mesmo, mas deve ter acontecido algo muito grave...
Creio que precisávamos de independência, de poder de decisão sobre nossas próprias vidas, de libertação de um preceito, mas não precisava se libertar da educação também.
A mulher conquistou seu espaço pela delicadeza, sensibilidade, compreensão e simpatia. São características que complementam as masculinas e que equilibram o mundo, eu ousaria dizer.
Qualquer dia você vai se deparar com um ser assim: rostinho de Barbie, com corpo de Incrível Hulk, carregando uma bolsa Louis Vuitton, calçando sapatos Cristian Loubotin, dirigindo um conversível pink, esticando sua delicada mão para fora do carro e levantando grosseiramente seu dedo médio com as unhas perfeitamente pintadas de vermelho! Fala sério, ninguém merece ser um Frankenstein fashionista!
Esse tipo de atitude, definitivamente, não combina com nossa sensibilidade, não condiz com as reclamações que fazemos dos próprios homens! Meninas, não percamos nossa independência, não percamos a feminilidade, não percamos a doçura, jamais!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Lanvin divulga coleção de forma divertida

A grife de alta costura Lanvin apostou em um vídeo descontraído para sua campanha de outono 2011, com os modelos dançando o hit do rapper Pitbull “I Know You Want Me". Bem legal!


domingo, 6 de novembro de 2011

Respeito aos idosos: uma questão de humanidade!

Texto de Rute Rodrigues Sobrinho

Ilustração Luciana Meneses Delmonte
Era meio-dia de um domingo, o Sol estava a pino e dois jovens andavam e conversam faceiramente. Logo à frente, eles perceberam que havia um homem deitado na calçada. Imaginaram tratar-se de um bêbado jogado na sarjeta. Ao chegarem mais perto se certificaram que era um velhinho, que devia ter perto dos seus 80 anos. Ao vê-lo deitado, começaram a caçoar:
- Um homem dessa idade bêbado e caído no chão? Sua família deve ter vergonha de você! Disse um deles.
- Que velho safado, bebendo a essa hora do dia! O outro complementou.
Diziam essas palavras enquanto prosseguiam na caminhada rumo à outra quadra.
O velho caído na calçada ouviu em silêncio as ofensas, já que não tinha condições de dizer nada. Estava com uma dor no peito que tirara dele o fôlego e as forças. Ao melhorar o desconforto que sentia o pobre senhor refletiu no que acontecera e desgostou-se muito com a juventude.
Na verdade aquele era o pai e o avô de uma grande de família. Naquele domingo, como era de costume, todos se reuniram para um animado almoço. O vovô tanto insistiu que o deixaram sair para comprar o refrigerante enquanto a carne terminava de assar.
Ao retornar, sentiu dores no peito e foi obrigado a se deitar na calçada para recobrar o ânimo. Pensou que ali seria o seu fim. Avistou dois rapazes que vinham de longe em sua direção e se tranquilizou, certo de que o socorro estava perto. Mas não foi o aconteceu.
Pensou na sua juventude e lembrou-se de como os mais novos respeitavam os mais velhos, por deferência aos anos vividos e à experiência adquirida. Imaginou que não eram necessárias leis para que os mais jovens deixassem os idosos passarem à frente nas filas, nem para que tivessem prioridade nos atendimentos. Isso era ensinado pelos pais desde cedo, que impunham rigorosamente aos filhos e netos.
Hoje, com a edição de várias leis que tratam dos direitos dos idosos ou deficientes podemos achar que se trata de uma evolução, mas creio que é um retrocesso. Há certas coisas que envolvem o campo da moral e que não precisam, necessariamente, adentrar o ramo do direito. Dizem que quanto mais adiantada uma Nação, menor é a quantidade de leis necessárias para regular a vida dos cidadãos.
Parece que a nova geração não aprendeu a respeitar os mais velhos e precisa do Estado para fazer valer um ensinamento que poderia ter vindo da educação. As regras de convivência numa sociedade moralmente educada são passadas de geração em geração e não há necessidade de uma penalidade para que seja cumprida.
Infelizmente é um absurdo que as leis tenham que obrigar a fazer aquilo que deveria ser feito por um senso de humanidade, de caridade. Deixo claro que não estou criticando esse tipo de lei, que é muito válida. Na verdade, quero acender uma reflexão que vem antes das leis, uma análise sobre a educação que estamos dando aos nossos, para que menos leis sejam necessárias para domar uma geração que não aprendeu a respeitar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Soltando os bichos!

Estampas ou motivos de animais nunca saem de moda! 

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